

A suprema felicidade da vida é ter a convicção de que somos amados”. (Victor Hugo).
Estamos na época da Copa do Mundo, e todos os olhares estão voltados para África do Sul. Como todo torcedor, acompanho de perto os jogos do mundial e as cenas que vêm do continente africano. No final da partida entre a França e a África do Sul, uma cena causou mal-estar ao planeta: o técnico francês Raymond Domenech se recusou a cumprimentar o técnico da equipe sul-africana Carlos Alberto Parreira.
Aproveito esse lastimável episódio para trazer à reflexão, neste mês, um assunto que sempre me incomodou: a miséria da alma. Desde pequeno, aprendi que dividir é sempre melhor do que somar e que estender a mão é uma atitude nobre, que faz bem ao coração de quem recebe e principalmente de quem dá.
Somos miseráveis quando não nos alegramos com a vitória do outro, quando tentamos anular nosso semelhante, quando perseguimos (com ou sem razão) alguém, quando não somos capazes de pronunciar uma palavra carinhosa a quem precisa, quando negamos um abraço, um aperto de mão, um sorriso ou um “bom dia”, quando tentamos oprimir as pessoas, quando pensamos que podemos exercer autoridade na ocasião que, na verdade, o único poder que deveríamos ter é o de servir ao próximo.
Já que iniciamos esse papo falando de um francês, recomendo, aos amigos dessa coluna, a leitura da obra de um autor francês, Victor Hugo, Les misérables (Os miseráveis) , escrita no século XIX, ocasião em que Hugo nos presenteia com uma personagem grandiosa, bem diferente do técnico da atual seleção francesa.
O romance narra a história de Jean Valjean, o qual, por ver sua família passar fome, resolve roubar um pedaço de pão e acaba sendo punido severamente por cometer esse delito. O episódio o coloca em situações difíceis e diante de inúmeras personagens lastimáveis; no entanto, uma atitude solidária de um indivíduo faz com que Jean Valjean volte a acreditar na humanidade.
Não incentivo ninguém a sair por aí distribuindo o que tem ou mesmo apertando a mão de todo mundo. Isso é uma decisão pessoal. Na verdade, chamo a atenção para algo que não podemos deixar se perder: demonstração de amor, de gentileza, de educação. Muitas vezes, nossos semelhantes não precisam só de recursos materiais; precisam, sobretudo, de amor, de um gesto nobre, humano, solidário que alimenta a alma e faz sorrir o coração. Nunca se esqueça de que uma atitude solidária pode mudar o mundo. Deixo a todos um aperto de mão. E até o próximo papo!
Valmir Miranda.
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